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Entrevista a Manuel Violas - Vontade de Vencer

Entrevista a Manuel Violas - Vontade de Vencer

Publicado em 20 de Agosto de 2010 às 23:00

Presença assídua na Selecção Nacional, Manuel Violas é, sem dúvida, um dos melhores jogadores em Portugal. O golfista do Oporto Golf Club, filho do empresário de sucesso com o mesmo nome, dono da cadeia de hotéis e casinos Solverde, abriu-se nesta entrevista exclusiva à Golf 4 You e abordou vários temas da sua vida, como a sua experiência nos Estados Unidos, a vitória deste ano na Copa da Andaluzia ou a sua vontade em concluir o curso de Gestão.

Como surgiu a tua paixão pelo Golfe?

A minha paixão começou a partir do momento em que o meu pai me trouxe pela primeira vez a um campo de golfe, tinha eu 8/9 anos. Nunca tinha pensado em jogar antes. Costumava jogar futebol aos sábados, mas depois o meu pai começou a vir ao golfe e eu comecei a acompanhá-lo de vez em quando. Mas não foi um amor à primeira vista, foi uma paixão que foi crescendo.

Estiveste dos Estados Unidos, mas a experiência não correu como pretendias... O que recordas desses tempos?

Foi uma experiência óptima. Por mais que tenha vindo embora, são experiências que ficam para a vida, experiências diferentes, são coisas que nos fazem crescer. Posso não ter ficado nos Estados Unidos, mas não me arrependo nem por um momento de ter ido.

Manuel ViolasQue principais diferenças encontras no golfe amador norte-americano e no golfe amador português?

Lá, está montada toda uma estrutura, por detrás do golfe e dos estudos, para te facilitar a vida, coisa que aqui não existe e complica muito. Por isso é que há muitas pessoas em Portugal que deixam de estudar para jogar ou deixam de jogar para continuar a estudar. Nos Estados Unidos não tens de fazer uma opção desse género. Podes ir fazendo as duas coisas e só mais à frente na tua vida é que tomas essa decisão. 

A nível de infra-estruturas e de treino que diferenças encontras entre lá e cá?

É verdade que eu também estava numa Academia de Desporto, a IMG Academy, que tinha ténis – a Maria Sharapova estava lá na altura –, tinha futebol – o Freddy Adu era uma das estrelas –, tinha golfe – que era coordenada pelo David Leadbetter –, tinha basquetebol e basebol,  e, por isso, havia tudo e mais alguma coisa. Infra-estruturas, lá não faltava nada, mas também acho que não é por aí, porque nós cá também temos boas condições. A grande diferença (entre o golfe nacional e o norte-americano) é mais a maneira como se vê o desporto lá.

O que consideras que falta para o golfe português tornar-se numa referência europeia?

Acho que falta uma pessoa conseguir ser bem sucedida. A primeira pessoa é sempre o mais difícil. Falta um abrir o caminho para os outros, mas também ainda temos poucos jogadores, e também o golfe precisa de crescer no nosso país. 

Venceste o ranking BPI no ano passado, este ano continuas a liderá-lo. Consegues tirar o prazer do golfe só pelo puro prazer de jogar ou sentes a competição?

Sinto a competição. Não sou uma pessoa de conseguir jogar por jogar. Mas isso não é so no golfe. Já quando estou, por exemplo, a jogar playstation é a mesma coisa... A outra pessoa que está a jogar comigo pode pensar que estamos só a jogar, mas não estamos só a jogar (risos). Gosto de ganhar. Sei perder, mas gosto mais de ganhar.

Quais os teus projectos futuros dentro e fora do golfe? Por exemplo, ser profissional passa pela tua cabeça?

Sempre disse que a minha prioridade é acabar os meus estudos. Posso demorar mais tempo a acabar a faculdade por jogar golfe. É verdade que não vou à faculdade com tanta frequência quanto isso. Existem certas alturas do ano em que temos vários torneios lá fora e chega a haver meses inteiros em que não ponho o pé na faculdade, mas vai chegar uma altura em que vou ter de decidir. E acabar o curso de Gestão está nos meus objectivos. Mas para já quero manter as minhas hipóteses abertas.

Manuel ViolasFazendo uma auto-análise, quais os teus pontos fortes e fracos como jogador?

Pontos fortes, acho que sou uma pessoa que gosta de ganhar e considero que isso é muito importante. Mais importante ainda é acreditarmos que conseguimos ganhar. Eu acredito. Relativamente aos pontos fracos, por vezes não penso bem o jogo. Há alturas em que parece que paro de pensar durante alguns segundos e quando isso acontece, por muito pouco tempo que seja, estrago tudo... (risos)

Cumpres algum programa específico de treino? Como divides o teu treino (jogo comprido, jogo curto, putts, bunker, etc...)?

Não gosto muito do driving range. Prefiro muito mais ir jogar para o campo do que ir bater bolas. Quando estou a treinar, treino muito mais jogo curto, nomeadamente chips e putts.

Componente técnica, componente física, componente psicológica? Qual a que deve ser mais trabalhada?

Todas têm a sua importância. Acho que se calhar a parte psicológica é sem dúvida a mais importante.

Tens cuidado com a alimentação?

Já tive. Houve uma altura em que estava mais pesado e tive de começar a ter, mas agora não... Vou ao ginásio, faço um tipo de treino a pensar no golfe, sem ser à toa, e trabalho a parte mental com a psicóloga da Selecção, que também nos ajuda. Mas fora da Selecção não tenho nenhum acompanhamento.

Consideras que a parte psicológica está ligada à ausência de grandes vitórias dos portugueses lá fora ou isso deve-se à falta de competição interna?

A falta de competividade é o factor mais influente. Nos torneios em Portugal, não há mais de cinco/seis jogadores com hipóteses reais de ganhar um torneio, enquanto que lá fora há um número enorme de jogadores que podem ganhar. Há um nível competitivo muito maior e acho que também uns puxam pelos outros. O nível do golfe português tem melhorado muito nos últimos anos, mas é obvio que não está ao nível dos principais circuitos.

Manuel ViolasQual foi o momento de maior de pressão pelo qual passaste? O que te veio à cabeça?

Foi em Espanha, na Copa da Andaluzia (na foto), no buraco 18. Tinha um putt de 3 metros para ganhar e a pressão já vinha crescendo dos buracos anteriores. No 17 eu achava que não estava nada nervoso, mas a verdade é que já começava a sentir aquela ansiedade e depois no 18 senti aquele nervosismo mesmo. Pensei em tão pouca coisa, só mesmo no putt. Acho que não consegui pensar em mais nada.

Qual a tua a maior e custosa derrota?

Foram algumas, mas destaco a Taça da Federação do ano passado, que passei em primeiro a fase de stroke play e depois perdi no primeiro match. Vinha a ganhar por 26 pancadas com a pessoa com quem perdi, e isso custou-me. Depois, também, no Campeonato Nacional. Já fiquei uma série de vezes em segundo. 

E a vitória que te deu mais gozo?

Foi quando ganhei a Copa da Andaluzia, em Espanha. Foi sem dúvida a vitória que mais gozo me deu.

Tens uma grande ligação com o Oporto GC. Que pontos fortes apontas ao teu profissional de ensino, Eduardo Maganinho?

É uma pessoa com quem me entendo muito bem. Considero-o muito bom a nível técnico. Gosto muito da maneira que ele explica e acho que, acima de tudo, pelo menos comigo, sabe quando é que pode puxar mais. E consegue fazer uma coisa que nem mais ninguém consegue fazer comigo antes de cada volta: dá-me sempre uma pequena dica que me ajuda sempre de uma maneira inacreditável. Sabe-me acalmar.

Sentes que ainda tens margem de progressão com ele ou equacionas mudar caso os resultados comecem a não aparecer, ou a não melhorares, como fez Tiger, há sensivelmente seis anos, com a troca de Butch Harmon por Hank Haney?

Não penso nisso. Acho que depende mais de mim do que dele. O Eduardo (Maganinho) sempre esteve lá, eu é que em certas alturas não treino tanto ou não me esforço tanto. Isso é do meu lado. Não me acredito que se mudasse de treinador melhoraria o meu jogo.

És novo, solteiro e bom-rapaz. Consideras o casamento como um ponto de estabilidade para o golfista ou para o desportista de alta competição em geral?

Ui!... (risos) Acho que é bom a estabilidade para um desportista, mas só quero pensar nisso daqui a uns anos.

Curiosamente essa estabilidade não aconteceu com Tiger. Como tens visto o caso em que ele se viu envolvido?

Ele pode ter feito todas as asneiras do mundo, mas de certeza que milhares de pessoas já fizeram a mesma coisa. Só que ele está numa posição mediática em que sabe que se fizer isto arrisca-se a estas coisas. Tem sido complicado para ele, mas acompanhei o British Open e o golfe dele está a melhorar imenso. 

O teu pai também é jogador. Achas que lhe ganharias num match de 18 buracos?

Tenho a certeza!... (risos) 

Em que buraco achas que o derrotavas?

O mais cedo possível. Não tinha pena nenhuma... (risos)

Putt para birdie B.I.

Filme... Gladiador
Livro... nenhum
Cor... Vermelho
Prato... Picanha
Bebida... Água
Jogador nacional... Pedro Figueiredo
Jogador internacional... Tiger Woods
Swing mais eficáz... Tiger Woods
Swing mais bonito... Adam Scott
Torneio... Masters
Um dia sem golfe... Em casa a descansar
Um amigo... Vários
Um campo... St. Andrews
Sonho... Muitos

Nome: Manuel Alexandre Couto Oliveira Violas

Data de nascimento: 16/11/1987 (22 anos)

Local: Espinho

Principais vitórias: Taça da Federação (2008), Ranking Nacional BPI (2009), Copa da Andalucia (2)