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Entrevista a Stuart Woodman - Determinação

Entrevista a Stuart Woodman - Determinação

Publicado em 9 de Abril de 2011 às 23:00

Stuart Woodman é golfista profissional desde Agosto de 1963, quando entrou para a Professional Golfers Association. A sua carreira abrangeu todas as facetas da indústria do golfe, com bastante êxito em todas as áreas. Em 2006,foi reconhecido pela P.G.A. através da atribuição de do Prémio Honorary Membership, geralmente só concedida aos vencedores de grandes eventos golfe ou no caso de retiro da prática, para aqueles que deram um contributo significativo para golfe profissional, assim, este foi um importante reconhecimento por parte da indústria líder.

No início do novo sistema de categorias profissionais em 2006, Stuart Woodman foi o primeiro no grupo dos 4 profissionais a receber o mais alto nível de Advanced Fellow Professional da PGA, uma categoria que só acolhe 23 profissionais na Europa até o presente. Foi também um membro honorário da Press Golf Society desde 1994. Foi um jogador sponsorizado pela Dunlop, Wilson, Precision Golf Forgings of Australia, Uniroyal, Cobra e Callaway e tem representado várias empresas de roupas tendo sido também patrocinado pela Trafalgar House / Cunard Ships & Hotls durante 27 anos. O seu trabalho ganhou uma forte reputação como professor, desde jogadores de torneios famosos até iniciados, como jogador de golfe, como consultor e como uma figura-chave na indústria do golfe, com um vasto círculo de contactos em todos os sectores de jogadores de golfe líderes da indústria e do turismo.

Stuart WoodmanO que pensa sobre a qualidade do jogador português amador?

Existe uma quantidade enorme de talento aqui em Portugal. Posso dizer isso, pois passo aqui no vosso belo país uma quantidade significativa do meu tempo. Houve uma excelente quantidade de bons golfistas nos longínquos anos 60/70/80 aqui em Portugal, que basicamente apareceram devido a terem desempenhado em crianças a função de caddie. Eram bons jogadores, amadores, que com pouco ou nenhum dinheiro era essa a única forma que tinham de poder dar umas tacadas de vez em quando: ser caddies. A maior parte dos profissionais que conheço viveram essa realidade. Posso afirmar mesmo que deram a sua vida ao golfe. Hoje em dia as coisas são completamente diferentes. Quem pratica golfe é proveniente, na maior parte dos casos, de famílias com posses e com alguma capacidade financeira que permite à criança ter acesso a este magnifico jogo que é o golfe. No entanto, não posso deixar de realçar, que mesmo com estas facilidades são estas as crianças e jovens que apostam na sua formação académica e não arriscam no golfe, mesmo que seja essa a sua paixão. Mas atenção, isto não acontece só em Portugal, vejo isso um pouco por todos os países onde vou.

Conselho para quem esta a começar a aprender?

Dedicar-se ao máximo. Só assim saberá se irá querer ser um jogador de top mundial, ou um excelente profissional de ensino, ou um jogador de fim-de-semana. As pessoas, e os jovens em especial devem-se dedicar. Eu recordo-me de treinar desde o amanhecer até ao entardecer. Lembro-me de ir de bicicleta para um campo perto de minha casa, com o meu cão a fazer-me companhia o dia todo, e voltava a casa com as mãos muito mal tratadas. Fazia calos e rasgos até mais não poder bater bolas. Chegava a casa queixoso, e a minha mãe obrigava-me a colocar ambas as mãos numa bacia com vinagre para mais depressa recuperar.

Existe informação estatística actual, que prova que o jogador amador tem ou deve jogar quatorze anos até se poder afirmar que ele atingiu um nível de golfe profissional. Todos os outros casos são excepções, como são o caso, por exemplo, de Jack Nicklaus, Tiger Woods onde o talento natural teve um papel fundamental, embora não se deva pensar que estes dois não tenham praticado tanto ou mais em relação aos seus adversários.

Stuart WoodmanQue jogadores destaca pelo seu percurso até hoje, como forma de exemplo, para os mais jovens?

É relativo falar sobre isso. Temos o caso de Tiger Woods proveniente de uma família de classe média, que começou a jogar com três anos e começa a vencer rapidamente, ganhando o US Amateur aos 18 anos, o que não foi surpresa para ninguém e quando se tornou profissional também venceu quase imediatamente com bastante naturalidade. Outro exemplo, é o do Phil Mickelson, cuja família era bastante abastada, tinha greens para praticar no jardim de casa e sempre treinou desde criança. Ou seja, o importante a reter é a dedicação que damos às nossas paixões independentemente das nossas raízes. No golfe britânico, jogadores como Luke Donald, Lee Westwood são também exemplos disso; de dedicação extrema.

E o seu percurso, conte-nos um pouco como foi.

Eu comecei relativamente tarde. Comecei a jogar com 14 anos, pelo que deveria, de acordo com os dados estatísticos, começar a jogar ao mais alto nível por volta dos meus 28 anos. Mas aprendi bastante depressa devido ao meu empenho e com 17 ganhei o British Amateur Boys. A dedicação e empenho é quase tudo. Até começar a jogar golfe, pratiquei vários desportos, com especial incidência para o rugby. Adorava o rugby. Em determinado jogo sofri uma placagem violentíssima e tive que levar 37 pontos na minha perna esquerda o que de certa forma me fez deixar o rugby mas não de forma directa, pois eu enquanto recuperava da operação e fazia fisioterapia, nos tempos livres ia para o driving range e com as pernas bloqueadas batia umas bolas no campo perto de minha casa. Como comecei a ganhar tanto gosto a bater bolas e a reparar que com pouco esforço conseguia por a bola longe, quando recuperei totalmente da minha perna, já não queria saber do rugby para nada e o meu objectivo era bater bolas na posição normal de swing (com as pernas afastadas) e ganhar distância treino após treino. Fiquei completamente viciado no golfe.

Para si o que é verdadeiramente importante que possa ser feito para desenvolver o golfe nas camadas mais jovens?

Assisto com curiosidade e agrado ao movimento que começa a surgir em Portugal de Pitch & Putt, a algumas escolas de golfe que existem em determinados campos, ao caso do Golfe da Quinta do Fojo, que foi criado perto de grandes cidades como Porto e Vila Nova Gaia, para que as pessoas e jovens das metrópoles também tenham acesso rápido ao jogo. Se reparar nos 288 jogadores profissionais britânicos que competem nos principais circuitos, todos eles têm bons grips, bons stances, boas posturas, boas distâncias, mas o mais importante, e foi sempre isto que me transmitiram, é o teu swing e a relação de confiança que tens com ele. O teu swing é único e deve ser trabalhado e é precisamente isso que deve ser trabalhado com os miúdos, o swing deles, a sensação de movimento. Obviamente ensinar-lhes os princípios fundamentais, mas com a preocupação de lhes oferecer espaço para eles próprios de forma inconsciente desenvolverem e ganharem confiança no seu swing, em si próprios.

Stuart WoodmanPortugal não tem um star player nos principais circuitos mundiais ao contrário, por exemplo, dos nossos vizinhos espanhóis que sempre tiveram grandes jogadores de golfe. O que julga ser necessário para que isso aconteça?

Eu quando comecei a jogar como profissional em 1963, defrontei grandes jogadores espanhóis como o José Maria Cañizares, Manuel Piñero, Sebastián Miguel entre outros. Todos eles aprenderam a jogar desde crianças, tenham começado como caddies ou com aquela transmissão muito rica e natural de conhecimentos de pais para filhos. Apercebi-me que eles encaravam o golfe como se fosse uma tourada. Eram todos muito jovens, provenientes de famílias de classes médias baixas, e em comum tinham a ambição de vencer e ganhar dinheiro com o golfe. Queriam ter um bom carro, uma boa casa e sabiam que só jogando muito bem golfe é que poderiam atingir os seus objectivos. O Seve Ballesteros, nunca teve muitas facilidades. Nasceu na Cantábria uma zona pesqueira, numa localidade perto de Santander e o seu pai era pescador. É um homem com uma riqueza de vida extraordinária e ao conversar com ele verificamos que é uma pessoa extremamente inteligente e muito bem formada. Actualmente as coisas são diferentes, a nova geração de bons jogadores espanhóis não teve de passar por inúmeras dificuldades e barreiras. Sérgio Garcia, por exemplo, provém de uma família abastada e com elevada formação, mas o segredo continua a ser o mesmo: bons jogadores tendem a ser aqueles que desde tenra idade mais trabalham com afinco e determinação. No entanto, existe uma grande verdade no meio disto tudo: tu tens que querer sem bom a jogar golfe. Não podes querer ser um bom jogador e querer ao mesmo tempo ser professor universitário, ou médico, ou teres muitas namoradas. Tem que haver uma grande determinação e decisão em ser bom jogador de golfe.

Sempre esteve ligado à indústria do golfe. Prefere o ensino ou o lado mais relacionado com a gestão?

Ambos (risos). Eu tive muita sorte pois com apenas 19 anos desenhei o meu primeiro campo de golfe. O meu pai estava ligado à área de gestão de um hotel pelo que eu, desde muito cedo, comecei a conviver com essa realidade e tive logo um bom pressentimento. Também gosto de ensinar embora quando era mais novo não ligava muito a isso. Estava mais preocupado com o meu jogo e em vencer. Quando comecei a ficar mais velho, dei por mim várias vezes a ficar bastante tempo a dar conselhos e dicas a amigos e jogadores no driving range, e de certa forma, também comecei a gostar muito desse lado. Actualmente não posso dizer que goste mais do ensino ou do lado industrial do golfe, gosto de ambos.

Diga-nos qual foi o melhor swing que já viu ao vivo?

 … (pausa) Existe um número absolutamente incrível de bons jogadores e consequentemente bons swings que nunca ninguém ouviu ou irá ouvir falar pelas mais variadas razões. Um deles foi Moe Norman, canadiano, para mim um case study, um autodidacta simplesmente espectacular. Também tive sorte. Sorte por ter jogado com Ben Hogan que tinha um swing fantástico, Roberto de Vicenzo, um argentino que ainda hoje é uma referência para mim, era também um jogador maravilhoso. Peter Mills era um jogador fabuloso com os ferros, tal como Tommy Armour, que era conhecido como o rei dos ferros. Existem vários… Nos tempos mais recentes posso fazer referência a Tom Watson, que para mim, com o passar dos anos foi melhorando sempre o seu swing e, obviamente, Tiger Woods, um talento natural aliado a uma técnica fantástica e muito aprimorada. Existem muitos mais, Lee Westwood, Phil Mickelson… gosto especialmente do Stuart Appleby e tenho que fazer também referência a um jogador, que provavelmente tem actualmente o melhor swing em todo o mundo, o Francisco Molinari.

Stuart Woodman

Se tivesse que eleger o campo mais bonito onde jogou, qual seria o escolhido?

É uma pergunta que envolve uma resposta com um vincado cunho pessoal, pois está muito relacionada com os gostos pessoais e muito próprios de cada um. Muitas pessoas respondem automaticamente Augusta, pois tem um layout muito bonito para golfistas profissionais e foi construído no meio de um natural viveiro de plantas e flores, é de facto muito bonito. Não gosto de campos, onde depois de construídos, são colocadas plantas, flores e elementos que não são naturais ou que lá foram colocados artificialmente. Em Portugal, gosto particularmente de Praia D’El Rey e do Oitavos. Miramar e o Oporto em Espinho, estão extremamente bem localizados, gosto muito também dos tradicionais campos de golfe escoceses e faço também referência a Pebble Beach. São vários (risos) … e existem campos maravilhosos no Hawai, também. Grandes arquitectos de golfe costumam dizer que espectaculares campos de golfe existem quando são construídos em espectaculares pedaços de terra e que respeitam a sua forma e relevos naturais, e isso para mim é um facto. Fico com pena, por vezes, que aqui em Portugal não se construa campos de golfe em zonas tão bonitas como vocês têm e que sejam construídos noutros locais de beleza muito inferior a maior parte das vezes por motivos de ordem económica. Em Vale Pisão, por exemplo, é maravilhoso como tão bem construído o campo foi. A zona é muito bonita, repleta de verde e água, o campo respeita o relevo natural do terreno e as belas moradias articulam-se de forma harmoniosa com a ondulação. Não aprecio os campos onde as moradias estão mesmo junto ao campo de golfe e se misturam com os fairways. Isso já são os interesses da indústria imobiliária a interferir com o terreno de jogo, que é algo que não deve acontecer, pois o golfe é uma modalidade que se pratica ao ar livre em plena interacção com a natureza. Gosto de campos que comungam com as paisagens naturais, mas como disse, é apenas a minha opinião e gosto pessoal.