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Entrevista a John Daly - O Algarve é muito bonito!

Entrevista a John Daly - O Algarve é muito bonito!

Publicado em 17 de Outubro de 2011 às 23:00

John Daly é, sem dúvida, um dos jogadores mais excêntricos desta edição do Portugal Masters. Bicampeão de provas de Grand Slam, o americano, de 45 anos, também conhecido por “Wild Thing”, garante que já não é o “bad boy” de antigamente, embora garanta que não se arrependa dos tempos em que não abdicava das drogas, do álcool e do jogo. Mais tranquilo com a vida, Daly, cantor nas horas vagas, não abdica das suas roupas coloridas e elogia o Algarve.

O que pensa do Algarve, do clima, do torneio…?

 É a minha primeira vez em Portugal e é tudo muito bom, muito bonito. Desde o hotel ao campo. Este é um campo onde se pode bater muitos drives e conseguir bons resultados.

O que espera deste torneio?

Espero jogar bem e estar entre os primeiros. É um campo que encaixa bem com o meu driver, mas estou a jogar com os wedges novos aos quais ainda me estou a tentar adaptar. O jogo curto tem sido o meu calcanhar de Aquiles nos dois últimos anos, mas sinto que me podem ajudar a voltar a ganhar confiança nesse capítulo. Mas de longe ser considerado favorito. Espero que possa jogar tão bem quanto joguei hoje no pro-am (ontem).

John DalyO bom tempo aqui é mais apropriado para beber uma cerveja fresca ou jogar golfe?

O clima é muito bom, parecido com o do Arizona. Faz sol o dia todo. Não temos de nos preocupar com o frio, nem com a neve… Agora que não bebo, prefiro jogar golfe… (risos).

Em 1991 surpreendeu o mundo com a vitória no PGA Championship. Acha que poderia ter tido uma carreira diferente?

Acho que sim. Ainda acredito. É por isso que continuo a jogar. Sou uma pessoa competitiva. Nos últimos três/quatro anos tenho sofrido algumas lesões e vivido tempos mais complicados, mas agora só penso em manter-me saudável, viver o dia-a-dia e fazer muitos birdies. Mas, como disse, continuo a ser uma pessoa muito competitiva e a acreditar.

E em 1996 conseguiu igualmente vencer o British Open. Conquistou dois Majors e nunca foi escolhido para a Ryder Cup. Será por causa da ser tão excêntrico?

Não faço ideia. O sistema de escolhas da Ryder Cup é muito baseado no companheirismo. Quando alguém escolhe, escolhe normalmente os amigos. Quando falo com o Colin Montgomerie ou o Bernhard Langer sobre o critério europeu eles dizem-me que já teria jogado pela Europa com toda a certeza. Talvez um dia venha a ser o capitão da equipa americana… (risos).

Ainda se sente capaz de vencer Majors e jogar na Ryder Cup?

Espero que sim. Pelo menos sei que vou jogar no PGA Tour e no British Open até aos 65 e jogar todos os Majors, todos os anos. Para mim, o golfe depende da confiança e isso está perto. 

Passou por uma fase complicada no passado de drogas, álcool e jogo. Pensa nisso? Se pudesse mudava alguma coisa?

Não… Nem por isso. Acho que tive uma boa vida na altura.

John DalyGosta mais de jogar no European Tour ou no PGA Tour?

Gosto de ambos. Adoro rever os bons amigos que tenho no European Tour. Os americanos são boas pessoas, mas, não me levem a mal, os europeus são mais acolhedores.

O que sente mais falta quando está longe de casa?

Do meu autocarro. É claro que tenho sempre saudades das minhas filhas. Tenho o meu filho comigo. Mas sinto falta de viajar no meu autocarro.

Causa sempre um grande impacto junto do público mais novo. Acha que fazem falta mais jogadores “coloridos” no circuito?

Não sei. O jogo já é tão difícil… Os jogadores não gostam de mostrar muito as suas emoções. E isso é que é divertido neste jogo. Se fossemos todos iguais, não tinha piada. Adoro as roupas que uso, já há muitos amadores que jogam assim, mas esta imagem de marca está a crescer e os miúdos adoram.

Acha que o público mudou a sua maneira de ver a modalidade ou ainda gosta de ver coisas malucas como ter uma lata de cerveja a fazer de tee?

O golfe transformou-se num desporto mundial. Logo, as pessoas também mudaram. Há alturas para tudo. Agora, não é só nos Estados Unidos que se vive intensamente o golfe, mas também na Europa. Há bastantes torneios, e todos com grandes prémios monetários. E nos próximos cinco anos tenho a certeza que isso se vai alastrar para a Ásia. A economia não vive os melhores dias, mas este desporto continua a crescer.

John DalyQuando foi banido do PGA Tour, que emoções viveu?

Vim para a Europa continuar a jogar. E até me senti muito bem. Não me senti nada afectado.

Quais as diferenças entre o John Daly dos anos 90 e o da actualidade?

Acho que amadureci. O meu jogo melhorou, mas já não consigo fazer os resultados que fazia. Já não faço os 62’s e 63’s dos anos 90, mas faço quatro ou cinco abaixo aqui ou acolá que poderiam ser facilmente oito ou nove.

Mas mantém a sua postura de irreverente. Recentemente retirou-se do Open da Áustria por discordar de uma decisão do árbitro…

Não quis prejudicar os meus parceiros de formação e achei por bem abandonar. Eles estavam a jogar bem e eu respeito-os. E achei por bem não os perturbar com aquela situação. Acho que foi a melhor decisão no momento. E o árbitro errou. Ele sabe que eu tinha razão…

Como vê a queda de Tiger Woods?

Além de tudo o que lhe aconteceu, também não jogou muito este ano devido às lesões. Mas no próximo ano aposto que vai aparecer forte.

E a afirmação do golfe europeu?

Não acredito muito que a queda de Tiger tenha influenciado a afirmação dos jogadores europeus. Ninguém tem medo de ninguém. É o bonito deste desporto. Quem é bom no European Tour, é bom no PGA Tour, no Asian Tour… Só temos medo de nós próprios… (risos) Tentamos não cometer muitos erros e tentar ficar entre os primeiros.