A Golf4You precisa da tua ajuda. Faz uma pequena contribuição e ajuda-nos a levar até ti os melhores conteúdos de golfe. Obrigado :)

Últimas

Pedro Lencart vence British Boys
Pedro Lencart vence British Boys

Pedro Lencart tornou-se no segundo português a conquistar o British Boys Amateur Championship, depo...

Ler mais
Portugueses com vida difícil

Ricardo Santos, João Ramos e Gonçalo Pinto entraram com o pé esquerdo no Viking Challenge e compr...

Ler mais
Melo Gouveia sai de cena

Ricardo Melo Gouveia foi eliminado por Ashley Chesters na primeira ronda do Paul Lawrie Match Play. ...

Ler mais
Entrevista aos Irmãos Molinari - All Square

Entrevista aos Irmãos Molinari - All Square

Publicado em 19 de Outubro de 2010 às 23:00

Perderam-se dois futebolistas, mas ganharam-se dois golfistas de grande qualidade. Os irmãos mais famosos do European Tour estiveram no Portugal Masters e, depois das fortes chuvadas em Celtic Manor, nos seus batismos na Ryder Cup, expressaram, embora informalmente, o apoio à candidatura portuguesa à organização da competição, de 2018.

Foi num ambiente descontraído, a meio de uma sessão de treino no putting green do Oceânico Victoria, logo após o pro-am do Portugal Masters, que Edoardo e Francesco Molinari fizeram uma pausa para abordar alguns assuntos do momento e não só. À volta, toda a gente quer saber mais sobre os irmãos mais famosos do European Tour, a confirmar pelo aglomerado de adeptos britânicos que se acerca de nós para escutar o que dizem os italianos – e, no entanto, eles não se deixam desconcertar, respondendo com amabilidade e, ao mesmo tempo, solidez.

Apesar da diferença de 20 lugares no ranking mundial e de uma personalidade bastante distinta, sobretudo em campo, o extrovertido Edoardo, 14º do mundo, e o ponderado Francesco, 34º, resistem com igual estoicismo à tentação de escolher qual dos dois é melhor. Os primeiros irmãos a participar na Ryder Cup desde Bernard e Geoff Hunt, em 1963 (Ernest e Reg Withcombe foram os primeiros, em 1935), garantem, entretanto, que a estreia simultânea tornou mais fácil a experiência em Celtic Manor, que entretanto qualificam de “especial” e “espectacular”.

Os dois oferecem entretanto, embora de forma informal, o apoio à candidatura portuguesa à organização da Ryder Cup de 2018, elegendo o “bom tempo” e os “campos maravilhosos” como pontos fortes do dossier. E Edoardo não se esquece de desejar a Filipe Lima a melhor sorte na sua odisseia em busca manutenção do cartão do European Tour. “É um grande jogador. Não está a conseguir bons resultados este ano, mas é um grande jogador e uma excelente pessoa”, sublinha.

Edoardo Molinari

Qual de vocês é o melhor?

Francesco Molinari (FM): (risos) Depende da semana. O nosso nível de jogo é muito idêntico. Não é fácil dizer quem é o melhor. Depende muito do momento…
Filipe Lima dizia no ano passado, enquanto o mundo falava de Francesco, que Edoardo (seu colega e adversário no Challenge Tour) era ainda melhor…
Edoardo Molinari (EM): Não. É como o Francesco disse: é difícil decidir quem é o melhor. Somos os dois bons jogadores. Temos um nível de jogo muito igual – e tanto está um melhor numa semana, como está o outro na seguinte.

No ano passado, o Edoardo e Filipe Lima dominaram o Challenge Tour (pimeiro e segundo classificados, respectivamenre). Falavam muito? O que acha de Filipe Lima como jogador?

EM: É um grande jogador. Não está a conseguir bons resultados este ano, mas é um grande jogador – e de certeza que não perdeu qualidades. Jogámos juntos algumas vezes e espero que mantenha o cartão do European Tour. Para além de tudo, é uma excelente pessoa.

O Francesco é um ano mais novo do que o Edoardo, mas passou a profissional dois anos antes. Porquê?

FM: Não foi por nenhuma razão especial. Fomos os dois à Escola de Qualificação nesse ano – e eu tive mais sorte em garantir a qualificação. Cada um tem a sua maneira de chegar ao Tour e jogar golfe. E, apesar dos passados diferentes, estamos agora os dois a passar por bons momentos no European Tour.

Apesar de serem imãos, há uma grande rivalidade entre vós…

EM: É uma rivalidade, sim, mas uma rivalidade saudável. Não jogamos para ganhar um ao outro, mas para bater todos os adversários e conquistar o máximo de torneios possível no circuito. A rivalidade entre nós não é um assunto a que demos muita atenção.

O Edoardo é mais criativo e o Francesco mais pragmático. Estou certo?

EM: É uma boa maneira de ver as coisas. Jogamos de forma diferente. Talvez eu jogue com mais paixão e o Francesco seja mais racional. Mas o nosso objectivo final é o mesmo: vencer.

Edoardo, a vitória no Johnny Walker Championship, o torneio anterior à Ryder Cup, valeu-lhe um convite de Colin Montgomerie para Celtic Manor. Vinha a jogar bem, é verdade. Mas estava à espera?

 EM: Foi uma boa vitória e uma boa maneira de conquistar um lugar na Ryder Cup. Confesso que, após vencer esse torneio, achei que seria muito difícil Colin Montgomerie não me dar um wildcard. E, felizmente, isso veio a confirmar-se.

O Edoardo e o Francesco foram os primeiros irmãos a participar na Ryder Cup desde os irmãos Bernard e Geoff Hunt, em 1963. Era um objectivo vosso?

FM: Foi muito especial, jogarmos juntos a nossa primeira Ryder Cup. Sempre sonhámos participar nessa competição – e mais ainda com a possibilidade de formarmos equipa nos foursomes e os fourball. Foi muito bom. Divertimo-nos imenso – e talvez tenha sido mais fácil jogar juntos do que com outro jogador. Com o decorrer do ano, foi um sonho que foi ganhando força. E realizou-se.

Como viveram o ambiente dessa prova?

EM: Foi um torneio espectacular! Foi muito divertido jogar em frente de tantas pessoas. É uma atmosfera diferente daquela a que estamos habituados. Foi muito agradável.

Apesar de terem ajudado a Europa a vencer, esperava-se mais das vossas participações na Ryder Cup. O que faltou para serem mais decisivos?

FM: É sempre complicado jogar a primeira Ryder Cup, porque se trata de uma prova muito diferente de um torneio regular. Penso que é sempre preciso jogar a competição uma primeira vez para, então, jogar melhor na segunda. Nunca sabemos com quem vamos jogar e é muito complicado preparar o nosso jogo. Mas, como já disse o Edoardo, foi uma experiência maravilhosa. Espero poder ajudar mais a Europa numa próxima oportunidade.

Como foi aquele jogo contra Tiger Woods, Francesco (derrota 4&3)?

FM: Esse dia foi complicado. O Tiger jogou muito bem. Eu também tive um bom dia, mas houve um momento em que ele não parava de fazer birdies. O matchplay, porém, é isso mesmo. Por vezes jogas bem, mas o nosso adversário joga melhor ainda – e, nesse caso, não há nada que possas fazer...

Como reagiram os vossos pais e amigos a ver-vos na Ryder Cup?

FM: Ficaram, obviamente, muito orgulhosos, muito felizes – e apreciaram bem a semana. Para os nossos pais foi excelente, pois nunca pensaram que teriam a oportunidade de nos ver a jogar esta prova ao mesmo tempo. Provavelmente, era algo que eles nunca pensariam que viria a acontecer...

O que pensam, já agora, da candidatura portuguesa à Ryder Cup'2018?

EM: Pelo menos o tempo seria bom (risos). É um excelente país, com excelentes campos – e seria uma excelente escolha.
FM: Concordo plenamente. É um lugar maravilhoso, com excelentes campos de golfe e muito sol. Seria bom para nós e, com certeza, para o golfe português captar mais jovens jogadores também.

“Lee Westwood merece chegar ao número 1”

Francesco Molinari

Ganharam juntos a Taça do Mundo para a Itália, em 2009, na China. O Francesco já era bastante conhecido, mas o Edoardo estava no Challenge Tour. Pode dizer-se que foi a vossa afirmação no golfe mundial – não?

EM: A vitória nessa competição foi um feito enorme. É um grande torneio, onde estavam presentes grandes jogadores. Deu-nos imensa confiança para o futuro.

Não estão fartos de serem comparados um com o outro? Não gostavam de começar a ser tratados como o Edoardo Molinari e o Francesco Molinari, separadamente?

FM: É uma situação normal haver essas comparações, porque somos dois irmãos a disputar o European Tour. De resto, o nosso objectivo é sempre o mesmo: jogar golfe o melhor que sabemos e desfrutar da oportunidade de jogarmos o circuito juntos.
EM: É óbvio, que sendo nós dois irmãos a jogar bem no circuito europeu, as pessoas queiram saber um pouco mais sobre a relação que temos. Divertimo-nos imenso com isso. Somos muito chegados um ao outro – e é óptimo termos a oportunidade de jogar juntos.

Qual a prova que mais gostavam de ganhar?

EM: Tantos... Se tivesse de escolher, escolhia um major. Não, os quatro majors. (risos)
FM: Sem dúvida... Estou de acordo. (risos)

E se jogassem a final do World Matchplay Championship que táctica utilizavam para vencer um ao outro?

FM: Seria complicado. Mas o melhor seria que o resultado ficasse all square. Metade do match para cada um... (risos)
EM: Eu aceitava imediatamente... (risos)

Quando pretendem mudar para o circuito americano? Ou acham que o circuito europeu vai crescer o suficiente para conseguir manter-vos? 

FM: Estou feliz aqui na Europa, pois tenho a hipótese, ao mesmo tempo, de jogar alguns torneios nos Estados Unidos. As vitórias de Graeme McDowell no US Open, de Louis Oosthuizen no British Open e de Martin Kaymer no PGA Championship mostram que o circuito europeu está muito forte, cheio de jogadores talentosos.
EM: Concordo. O European Tour é muito competitivo e muito bom para se jogar.

Há muitos anos que a liderança do ranking mundial não estava tão em discussão como agora. Tiger Woods, Lee Westwood, Phil Mickelson, Martin Kaymer, Steve Stricker – está tudo na corrida. Como vêem a disputa?

EM: O Tiger não está tão forte como nos últimos anos, permitindo que outros jogadores possam chegar a número 1 do mundo. O Lee Westwood vai ser o número 1 dentro de semanas – e penso que o merece. Foi o jogador mais consistente do último ano e meio. É sempre bom quando um jogador europeu chega a número 1. É bom para o nosso circuito e é bom para a Europa.

Como vêem o drama em que Tiger Woods se tem visto envolvido?

EM: Ele cometeu alguns erros, mas está a tentar dar a volta à situação. Tenho a certeza que vai voltar a aparecer em grande força – e, possivelmente, ainda melhor do que antes. No próximo ano, com certeza, estará aí.

Sentem o peso de serem considerados os sucessores do lendário Constantino Rocca?

FM: Não acho que nos devamos sentir pressionados. A pressão existe mais, por exemplo, no que diz respeito a vencer torneios e a chegar à Ryder Cup. Olhamos para o Constantino como nosso amigo e como um bom conselheiro para a nossa carreira. Não nos sentimos pressionados com as comparações.

E como vêem a ascensão de Matteo Manassero? Acham que o golfe italiano tem o futuro garantido com os irmãos Molinari e Manassero?

FM: Ele tem jogado bem e está melhor do que há uns tempos. Mas o golfe italiano precisa mais do que três jogadores. Três jogadores não é muito – e seria bom que aparecessem mais jovens jogadores como o Matteo nos próximos tempos.

Qual dos dois é o mais tímido e extrovertido?

EM: (risos) Somos pessoas totalmente diferentes dentro do campo e mais parecidos fora dele. Mas penso que eu sou mais emotivo dentro do campo.
Francesco: Ok (risos).

Em que medida as vossas situações familiares os aproximam e distinguem?

FM: Eu sou casado há três anos e meio, mas não tenho filhos. O casamento é importante para a estabilidade de um jogador.
EM: Eu só tenho namorada e também não tenho filhos. Talvez por isso seja diferente em campo... (risos)

Se não fossem profissionais de golfe, teriam sido o quê?

FM: Boa pergunta... Talvez futebolista. Do Inter... (risos)
EM: Aceito a dica. Futebolista.

Irmãos Molinari no Portugal Masters

A Golf 4 You com os irmãos Molinari, no Portugal Masters 2010

“É difícil decidir quem é o melhor. Somos os dois bons jogadores. Temos um nível de jogo muito igual – e tanto está um melhor numa semana, como está o outro na seguinte.”
Edoardo Molinari

“O match com Tiger Woods na Ryder Cup foi complicado. Tive um bom dia, mas houve um momento em que ele não parava de fazer birdies. O matchplay é isso. Por vezes jogas bem, mas o nosso adversário joga melhor ainda – e, nesse caso, não há nada que possas fazer...”
Francesco Molinari

“Filipe Lima é um grande jogador. Não está a conseguir bons resultados este ano, mas é um grande jogador – e de certeza que não perdeu qualidades. Jogámos juntos algumas vezes e espero que mantenha o cartão do European Tour. Para além de tudo, é uma excelente pessoa.”
Edoardo Molinari

“Portugal é um lugar maravilhoso, com excelentes campos de golfe e muito sol. Seria bom para nós que a Ryder Cup 2018 acontecesse aqui. E, com certeza, para o golfe português captar mais jovens jogadores também.”
Francesco Molinari

“Lee Westwood vai ser o número 1 dentro de semanas – e penso que o merece. Foi o jogador mais consistente do último ano e meio. É sempre bom quando um jogador europeu chega a número 1. É bom para o nosso circuito e é bom para a Europa.”
Edoardo Molinari

“Estou feliz na Europa. As vitórias de Graeme McDowell no US Open, de Louis Oosthuizen no British Open e de Martin Kaymer no PGA Championship mostram que o circuito europeu está muito forte, cheio de jogadores talentosos.”
Francesco Molinari