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Tó Rosado brilha na África do Sul

Tó Rosado brilha na África do Sul

Publicado em 11 de Março de 2014 às 23:00

Tal como muitos portugueses, António Rosado também sentiu na pele o peso da crise e decidiu por isso mudar-se para a África do Sul. Desde novembro a viver naquele país, de onde a sua namorada (Rita Capelinha) é natural – nasceu em Cape Town –, o antigo campeão nacional sub-18 e de profissionais foi recentemente notícia por ter vencido um torneio do IGT Tour.

“Até ao momento está tudo a correr bem. O clima é muito parecido com o do Algarve, as pessoas são simpáticas e a comida muito boa”, contou “Tó” Rosado à Golf 4 You, ele que tem treinado no Royal Johannesburg Golf Club e jogado algumas voltas nos vários campos da região.

 

“Vim com a ambição e força para tentar dar um rumo diferente à minha vida”

A decisão de abandonar Portugal não foi fácil, mas as vicissitudes da vida assim o obrigaram. “O golfe em Portugal está a evoluir muito e tem tudo para melhorar ainda mais. Vim para a África do Sul porque as coisas não estavam fáceis para mim – penso que era mesmo o único profissional sem apoios. Não conseguia fazer dinheiro para viver o dia-a-dia. Recebia convites para jogar convites internacionais, mas não podia ir porque não tinha dinheiro para cobrir as despesas”, recordou. “E nos torneios nacionais tinha sempre de ir de boleia com alguém – desde já agradeço ao José Dias, pois viajava quase sempre com ele”, destacou. “Não podia continuar na mesma situação e vim com a ambição e força para tentar dar um rumo diferente à minha vida, incluindo uma nova experiência no golfe”, sublinhou.

Além de esperar encontrar uma maior competitividade, que parece já ter confirmado, o português espera também juntar mais algum dinheiro a “trabalhar no ramo do golfe”. “Se conseguir jogar os torneios quase todos, de certeza que vou fazer mais dinheiro do que fazia em Portugal”, disse, explicando de seguida: “O IGT Tour não tem comparação possível com o circuito da PGA Portugal. Aqui não se começa um torneio e já se sabe quem vai ganhar. Primeiro, não se pode comparar um field de 80 ou mais jogadores com um de 15… Segundo, a moeda é muito mais fraca do que o Euro, mas, no entanto, a vida é mais barata. Terceiro, todas as semanas há pelo menos um torneio e os prémios são pagos até ao 50º classificado. E quarto, os torneios realizam-se todos num raio aproximado de 50km…”. 

“Além disso, eles promovem bem o circuito, pois têm sempre prémios extras. Por exemplo, o melhor resultado da última volta ganha sempre um prémio monetário. Vão também ter 3 Series de 4 torneios em que o vencedor de cada final vai ganhar um carro (Mercedes, Seat Ibiza e Mini Cooper)”, acrescentou.

Tó Rosado garante que a vitória da estreia no IGT Tour em pouco vai alterar os seus objetivos. “O IGT Tour é um bom circuito e para já vou tentar jogar mais alguns torneios”. Ele que antes tentou a sua sorte na Escola de Qualificação do Sunshine Tour. “Não correu como esperava, mas foi uma boa experiência. Joguei com jogadores diferentes, num país diferente, em condições diferentes…”, lembrou.

 

“Sem competitividade nunca vai haver campeões”

O jogador António Rosado foi um dos principais impulsionadores para o crescimento do golfe em Portugal nos últimos anos. Antes de se tornar
profissional, os duelos explosivos a nível amador com Ricardo Santos, Hugo Santos, Tiago Cruz, entre outros, deixavam antever um aumento competitivo da modalidade assim que estes decidissem dar um novo passo na carreira. “Se as pessoas acham que o meu nome faz parte da história do golfe português, isso deixa-me orgulhoso do trabalho que fiz. Tudo aquilo que conquistei foi com o meu suor”, disse humildemente o algarvio, recordando com saudade esses tempos. “Sem competitividade nunca vai haver campeões”, soltou. “Quanto maior competitividade houver, mais jogadores vai haver, mais apoios vai haver…”.

Nomes como Pedro Figueiredo e Gonçalo Pinto, recém-profissionais, ou Ricardo Melo Gouveia e João Carlota auguram um futuro risonho para o golfe português. “Era bom que houvesse ainda outros mais. Se todos eles competirem no circuito PGA Portugal será muito bom e de certeza que vai fazer com que haja mais competitividade, e levar mais jogadores a quererem jogar a nível profissional”, vincou.

 

“Não consegui apoios nenhuns em Portugal”

É impossível falar de golfe em Portugal e não falar de Ricardo Santos. António Rosado segue com atenção a carreira do compatriota no European Tour e considera que o devem ajudar ainda mais. “O que ele está a fazer é histórico no golfe português. Nasceu em Portugal, aprendeu e desenvolveu o seu jogo em Portugal, e até ao momento ninguém fez isso”, afirmou, defendendo que as condições no nosso país são ímpares. “Temos dos melhores campos do mundo e bom tempo. Penso que com mais competição, podemos ter ainda mais jogadores no tour europeu”.

O algarvio não deixou Portugal magoado com ninguém e assegura que quando voltar espera jogar torneios da PGA. “De momento estou bem aqui. Se vou voltar? Sim! Quando? Não sei! Pode ser no próximo mês como também pode ser daqui a 3/4 anos. Vim à procura de melhorar a minha vida. Não podia continuar na mesma situação. Não conseguia apoios nenhuns em Portugal, senti que todas as portas estavam fechadas para mim e decidi arriscar”, sublinhou.