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Entrevista a Jorge Gabriel - Competir sempre e em todas as competições

Entrevista a Jorge Gabriel - Competir sempre e em todas as competições

Publicado em 31 de Janeiro de 2011 às 23:00

Tinha combinado com o Jorge Gabriel, às 13H no Clube de Golfe de Miramar, para uma pequena entrevista. Cheguei mais cedo de modo a estar preparado convenientemente. Olhei para o campo, para o longe, para o mar, tentando em vão vislumbrar o mediático entertainer. Perguntei a uma criança, as crianças sabem sempre tudo, que por mim passou, à entrada do clubehouse: Diz-me uma coisa, conheces o Jorge Gabriel? Qual? Aquele senhor da televisão? (acertei na mouche) Sim.

Está ali ao fundo, disse-me, apontando para o green do 9 com as mãos em forma de pala devido ao baixo mas forte sol que se fazia sentir e nos feria, a ambos, as vistas. Esperei que a formação em que o Jorge Gabriel jogava, chegasse ao green. Vi-o a “puttar” ao longe e fiquei com a sensação que era canhoto, não que tenha nada de especial em ser canhoto, mas recordo-me de ser essa a minha primeira impressão dele, ao longe.

Apresentei-me e cumprimentamo-nos. Perguntou-me se estava com pressa, e respondi-lhe, obviamente que não. Queria fazer mais uns buracos. Entendi-o perfeitamente, é o chamado bichinho do golfe cá dentro, que só pára quando as pernas não podem mais. E Jorge, se me permites, garanto-te que nunca mais o vais perder. Eis que passado, sensivelmente 15 minutos, nos encontramos novamente.

De passo determinado e afável, convida-me a subir as escadas que dão acesso ao clubehouse do C.G. Miramar. Já dentro deste acolhedor e mítico “british” clubehouse, sentamo-nos nuns confortáveis sofás e com uma fantástica vista para o mar, dirigi-me ao Jorge Gabriel assim:
- Jorge, posso te tratar por tu?
- Deves! Disse sem hesitar, determinado e sorrindo.
Estavam lançados os dados…  

O Jorge Gabriel é um homem da rádio e da televisão, com vários e largos anos de experiência. Destas duas áreas, qual é tua maior paixão?

A última é sempre a mais importante. Nesta altura aquilo que mais satisfação me dá é a televisão. É aquilo que estou a fazer, no entanto, eu continuo a considerar que a rádio é muito mais exigente do que a televisão. É que a televisão dispõe da imagem e nós com a imagem podemos pintar o imaginário de quem nos vê; daquele modo. Enquanto na rádio temos que criar esse imaginário só com a voz, portanto, considero muito mais intenso ter que comunicar através da rádio do que através da televisão. Há quem julgue exactamente o contrário, mas são, obviamente opiniões. 
 
Na década de 90 colabora com a SIC, no famoso concurso “Donos do Jogo”. Já existia o gosto pelo futebol ou foi aqui que tudo se iniciou?
  
Eu comecei na rádio como jornalista desportivo, quer seja fazendo relatos, programas, comentários de informação desportiva geral. Eu quando fui para a SIC, para o departamento de desporto, já estava há anos a colaborar na Rádio Comercial, aliás, trabalhei vários anos na Rádio Comercial, já tinha também colaborado com a TSF, e no fundo foi para preencher uma vaga que era necessária na redacção. Faltavam pessoas para a editoria de desporto e eu entrei, sendo que posteriormente foi tudo surgindo por sequência. Estava lá e as tarefas surgiam naturalmente para eu fazer.

Depois da experiência “Donos do Jogo”, começas a surgir na televisão em programas de carácter mais generalista; como um entertainer. Este papel também te move ou fez parte de uma ascensão de carreira programada e ambicionada?

Jorge GabrielEu não gosto muito de estigmatizar as nossas actividades profissionais. Acho que qualquer barreira que se crie impede-nos de crescer, portanto, tão depressa volto ao jornalismo como faço entretenimento. Não foi nada programado, aliás, acho pelas pessoas que conheço, que têm essa capacidade são indiscutivelmente mais propensas a serem profissionais multi-facetados e com capacidade para responderam às solicitações de quem tem responsabilidades. E julgo, que quem tem essa capacidade de se conseguir encaixar nestas duas vertentes da comunicação, tanto melhor para quem as lidera, pois assim pode perfeitamente jogar com os recursos humanos, conforme entenda melhor.

Curiosamente, em 2004/2006 o futebol torna a surgir na carreira do Jorge;
Apresentas o concurso de futebol "Soccerstar" e o programa "Força Portugal";
Tiras um curso de treinador de futebol;
Escreves uma crónica semanal no jornal desportivo "Record";
Integras o trio de comentadores do programa "Trio de Ataque";
Estavas a preparar-te para o brilharete que foi a tua passagem pelo Arouca. Conta-nos um pouco essa passagem.

Não. Tudo também surgiu de forma ocasional. Eu estava a fazer comentários no “Trio”, como referiste, e o meu amigo Prof. Zé Neto, que foi preparador físico no tempo do Zé Maria Pedroto e do António Morais, pergunta-me se eu não quero aprofundar os meus conhecimentos sobre futebol, tirando um curso em Aveiro, onde ele estava a leccionar. Disse-lhe logo que sim, pois pareceu-me uma óptima ideia, tiro o Curso de 1º nível, logo de seguida existe também a possibilidade de tirar o Curso de 2º nível, e consegui e é nesta altura que existe a proposta de ir para o F.C. Arouca. Um colega meu desse curso, conhecendo a instabilidade directiva do clube, referiu aos responsáveis que eu poderia ser uma boa solução. Fui convidado para o cargo de treinador principal, mas informei as pessoas do F.C. Arouca que não podia aceitar esse cargo, pois não me julgava capaz de assumir o cargo. Numa reunião, ficou decidido que seria o meu colega o treinador principal ficando eu como adjunto.
 

Vamos falar um pouco de golfe. Como surgiu o teu primeiro contacto com o golfe? Há quanto tempo jogas?

Eu por diversas ocasiões, ainda na SIC, fiz umas pequenas reportagens para um programa, no qual eu aparecia como jogador de golfe, isto em 1997 ou 1998, não me recordo bem. Nessa altura experimentei, mas não achei que fosse nada apelativo para mim, se calhar por não acertar na bola (risos) que é precisamente o drama para quem começa. Mais tarde tomo contacto outra vez com a modalidade, mas em ocasiões esporádicas, por exemplo, recordo-me de experimentar novamente numa apresentação de um automóvel num campo de golfe. Depois redescobri o Porto Santo, e digo redescobri, pois já lá tinha estado em 2002, mas o campo ainda não existia ou estaria em obras. Estava lá, de férias em Abril do ano passado, no Open da Madeira, e o director do campo que é meu amigo, o Mário (Silva), vem ter comigo e em jeito de brincadeira diz-me que é inconcebível, tendo eu casa em Porto Santo e estando à distância de dois minutos do campo, não jogar. Foi impecável, disponibilizou-me tacos para eu jogar, deixou-me ir para o campo e eu cá, como para ir para casa, tenho que passar pelo campo do Fojo, inscrevi-me numas aulas e foi assim que comecei.

Tiveste aulas? Ainda tens?

Claro (risos). Tenho sempre que posso…

Quais são as maiores dificuldades que tiveste?

Eu acho que o maior problema é a coordenação total. Porque o movimento para ser harmonioso e perfeito precisa de ser feito como um todo, e é precisamente essa harmonia que ainda me falta encontrar. Nos miúdos, por exemplo, isso é constatável, pois o swing deles é espontâneo. Nós, mais velhos, estamos carregados de vícios posturais, oriundos de outras práticas desportivas e primeiro que nos adaptemos a esta nova realidade demoramos um pouco mais de tempo.

E que benefícios sentes que o golfe te traz?

Principalmente, o desanuviar de stress, da minha ocupação que é bastante exigente. O golfe permite-me, cada vez que aqui estou, estar única e simplesmente concentrado no meu movimento, nas distâncias, na bola, no ferro a jogar, e nada mais existe em torno... E isso para mim é óptimo.

Como vês o golfe em Portugal? Muitas vezes é uma modalidade catalogada como destinada para “velhos e ricos”, um jogo só ao alcance de determinadas elites. Concordas?

Acho que essa é, efectivamente, a imagem existente. E, em certa medida, o golfe para ter algum crescimento em Portugal tem que se aproximar da população em geral. Não deve continuar a existir aquela mentalidade e realidade em que só aqueles que pela sua posição social, ou porque têm alguém na família que já jogou, ou aqueles, porque lhes é conveniente jogar por causa dos seus negócios, estarem envolvidos neste jogo. O que para mim é importante para que o golfe possa crescer em Portugal, é estar, logo no inicio, nas escolas e deslocar os profissionais e professores de golfe às escolas. Mas às escolas do ensino público, pois aqueles que conseguem chegar ao ensino privado são normalmente dos extractos sociais que já praticam ou que conhecem alguém que já joga. E essa é a única forma de o golfe evoluir em Portugal. Penso que também devem existir campos municipais, pois sem eles, dificilmente existirá acesso financeiro, por exemplo, a uma família de classe média, ainda para mais na actual profunda crise em que vivemos todos actualmente, para que possa dispor de dinheiro para um “set” inicial de jogo. É muito complicado, de facto.

Achas que Portugal tem condições para ser uma referência do golfe mundial, como por exemplo, tem a Espanha com Olazabal; Jimenez; Garcia?

Jorge GabrielTemos excelentes condições. Penso que a aproximação do golfe às escolas e ao público em geral será, digo novamente, o único caminho para que, efectivamente, o golfe se possa tornar um desporto de massas em Portugal. Ver o golfe com o número de praticantes como tem, por exemplo, a Suécia, que é o segundo maior país europeu com praticantes a seguir a Alemanha, sendo que a Inglaterra vem em terceiro, é assustador, comparado com a nossa realidade. Ainda para mais com a quantidade de campos que temos em Portugal e com as excelentes condições climatéricas que o nosso país oferece. Portanto, para mim, isto é um imenso desperdício e para se alterar esta tendência, repito, é o golfe que se tem que aproximar das pessoas e não o golfe esperar que as pessoas se aproximem.

Agora a nível pessoal. Tens handicap? Se sim, qual?

Tenho. É o máximo, 36.

Já venceste algum torneio? Quais os teus melhores resultados?

Nunca (risos). Nem perto lá andei sequer… Melhor resultado? Não me recordo. Têm sido tão maus (risos)… Nunca fiquei em último, penso que já é bastante assinalável para o meu jogo. Eu estou a trabalhar, e acredito que trabalho muito, para melhorar o meu jogo. Eu sei que quando as coisas acontecerem vai ser tudo muito rápido. Os pulos no handicap são normalmente de 5, ou seja, quem tem 36 passa para 31 ou 30, depois dos 30 irá parar aos 23, qualquer descida no handicap de uma pancada ou duas, fará com que voltemos à casa de partida outra vez.

Divertires-te a jogar golfe, desfrutar do sol, de umas belas caminhadas pelo campo é o teu objectivo ou tens outros planos futuros, nomeadamente, vencer um torneio, baixar handicap, ou seja, jogar bem este jogo…. Ambicionas competir?

Baixar de handicap sim e competir sempre. Competir sempre e em todas as ocasiões. O que pretendo a curto prazo é baixar de handicap. Sinto que preciso de aperfeiçoar o meu jogo, até para, ter algum gozo cada vez que jogo. Só assim poderei desfrutar um par, ou um birdie, quando eles sucederem, se sucederem… (risos)

Gostas de manter contacto, por exemplo ir conversando, com outras pessoas durante uma partida/prova, ou pelo contrário, és absorvido pelo jogo e preferes o silêncio e concentração?

Já arranjei amigos novos, amigos do golfe. Não fico nada absorvido e contraído por causa do jogo. Acho que ainda não cheguei a essa fase e espero nunca chegar.

Consegues manter a tua aparente boa disposição quando falhas uma pancada?

Sim… (risos) Mas é assim, se falho três ou quatro seguidas, começo a resmungar. Mas atenção, resmungo comigo… Mas passa-me imediatamente. Não vale a chatice, aliás, não merece sequer que uma pessoa fique aborrecida. Até porque, também aprendi, que no golfe cada tacada é um momento de entrega, portanto, se eu me vou preocupar com a tacada seguinte a pensar na que falhei anteriormente, com toda a certeza que não me irá sair nada bem, irei repetir o mesmo erro, de certeza absoluta. O que há a fazer é mais swings de ensaio, trabalhar mais, é treinar, treinar, treinar, para conseguir melhorar. De outra forma não se consegue.

Bilhete de Identidade
Nome Jorge Gabriel
Data de Nascimento 29 de Maio de 1968
Rápidas
Livro O livro vermelho do golfe, Harvey Penick
Filme Tenho muitos, mas aquele de eleição e que me comove é o Cinema Paraíso 
Cor Azul, é a cor que mais uso na minha roupa
Prato Lampreia
Bebida Água, sempre
Referência do jornalismo nacional (longa pausa) Pelo desassombro, o falecido Alfredo Farinha. Ainda vivo, sem dúvida alguma, o Artur Agostinho.
Referência do jornalismo internacional Eu aprecio muito aquela forma de informação do Larry King, considero-o muito bom. Também gostava muito de ver o Dan Rather, que era um apresentador sénior de notícias da NBC. Para mim são as duas maiores figuras do jornalismo internacional.
Referência do golfe nacional São os meus dois professores de Miramar (risos). Tenho que lhes dar essa colher de chá, claro.
Referência do golfe internacional Apesar de tudo…Tiger Woods.
Campo de golfe mais bonito Apesar de ser sócio em Miramar, tenho que eleger o de Porto Santo.
Campo de golfe mais desafiador É simultaneamente o de Porto Santo e o de Miramar. Miramar porque o estou a descobrir e desvendar todos os dias, mas o de Porto Santo são 18 buracos, com uma vista fascinante, o vento… tudo tem influência. Qualquer local onde estejas a jogar é magnífico para se tirar uma fotografia e ainda por cima têm, além dos 18, mais 9 de Pitch&Putt o que é incrível, mas é melhor pores os dois senão ainda ficam chateados aqui comigo em Miramar (risos)…