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Entrevista a Sérgio Couto - O Golfe é um jogo de gentlemans

Entrevista a Sérgio Couto - O Golfe é um jogo de gentlemans

Publicado em 9 de Março de 2011 às 23:00

Ao entrarmos no Vale Pisão Nature Resort sentimos uma áurea diferente. Respira-se o xisto abundante que a natureza local oferece, sente-se magia no ar, a humidade abunda neste mês frio de Março mercê das grandes bacias hidrográficas ali existentes, rio Leça, rio Ave e rio Douro e a calma e tranquilidade são imediatamente sentidas. Aqui a natureza é respeitada e marca pontos.

Sérgio Couto Ouroso, profissional de Vale Pisão, recebeu-nos visivelmente bem-disposto. Fez-nos uma visita guiada de buggy ao campo, explicou-nos ao detalhe os pormenores deste fantástico projecto e sentados no moderno e minimalista Club House ao trocarmos umas primeiras impressões, verificamos que afinal as nossas raízes eram as mesmas. Falamos de tudo um pouco, desde os seus tempos de caddie no Club Golf Miramar, do saudoso Sr. Santos, dos seus primeiros torneios no Oporto Golf Club, de um dos melhores caddies nacionais, seu tio Zé Espanhol, do seu pai João Couto, de tudo se falou e ficamos com a sensação que muito mais haveria por falar. O que era para ser uma pequena entrevista de dez minutos, transformou-se numa conversa e serão de amigos que durou toda a manhã.

Sérgio CoutoComo é que surgiu a tua paixão pelo golfe?

Surgiu em 1982, recordo-me perfeitamente, em Março de 1982 quando fui incentivado por um primo meu para ir a Miramar fazer de caddie. Era para ganhar uns trocos pois na altura as dificuldades eram imensas, e à semelhança do que acontece hoje em dia, havia também uma grande crise a nível nacional. Ao entrar no 4 em Miramar, pois não podíamos entrar pelo Club House, lembro-me de encontrar uma bola e ficar ali um pouco entusiasmado com aquilo.

Durante seis anos fui caddie em Miramar, jogávamos às escondidas pois não podíamos jogar, era proibido para mim e para outros miúdos que também faziam de caddie e se fossemos apanhados a jogar éramos castigados. Nós, os caddies, tínhamos um putting green no actual parque de estacionamento, que na altura era de terra batida, e nos dias de prova enquanto esperávamos pelos jogadores ficávamos por ali entretidos a fazer uns putts, ou então, jogávamos na parte de cima da linha de comboio que na altura não tinham grandes moradias como existem actualmente e fazíamos ali uns buraquitos usando a imaginação, com uns pinheiros, uns muros. Éramos muitos na altura, existiam cerca de 30 caddies em Miramar.

Quando queria treinar mais a sério, já mais graúdo, ia para a praia de Francelos que era o meu Driving Range. Costumava ir eu, o meu primo e o meu pai, que na altura ficou desempregado. Quando ele estava empregado recordo-me que não gostava que eu fosse para Miramar fazer de caddie, pois ele já tinha passado por essa experiência na adolescência dele, e costumava-me dizer para ir estudar – eu tinha oito anos na altura. Mas eu gostava tanto daquilo que ia para lá às escondidas. Até que ele ficou desempregado e começou a ir para lá também e começamos a treinar juntos na praia. Na altura jogava futebol, era federado no Valadares, era guarda-redes, tinha como referência o Peter Schmeichel, e praticava atletismo ao mesmo tempo, mas acabei por me dedicar ao golfe.

Tornaste-te profissional em 1992. Foi algo planeado ou surgiu com naturalidade?

Foi planeado. Na altura até foi um caso complicado. Fazia parte da equipa de Miramar, já era sócio, já era um dos melhores jogadores do clube e tinha planeado tornar-me profissional aos 18 anos, ou seja em 1993.

Nessa altura, ia dar aulas em Miramar, - o meu pai (João Couto) e o Manuel Ribeiro já davam aulas lá -, e tínhamos a escola Howard Bennett, e comecei a acompanhar umas aulas com eles e com o Martin Young, que foi um profissional inglês que esteve lá, e houve uma acusação para o interclubes, não sei bem de onde, penso que de Espinho, pois havia ali uma rivalidade grande, aliás como ainda há, e alguém fez uma denúncia à Federação como eu já andava a trabalhar como profissional de golfe e acabei por perder o estatuto de amador.

Como ia estar ali uns meses suspenso sem poder jogar torneios, pensei que seria melhor antecipar a minha decisão de me tornar profissional

Sérgio CoutoO facto de teres deixado a competição profissional deveu-se aos baixos prize moneys que se praticam em Portugal ou foi mesmo devido à ausência de competição entre os profissionais nacionais?

Foi um bocado das duas coisas e também um bocado de frustração. Não pelo nível de resultados, mas pela forma como os profissionais de golfe são tratados em Portugal, inclusivamente entre eles. Em 2002 tive a minha melhor época, ganhei dois torneios consecutivos (Open da Terceira e Campeonato Nacional de Pares de Profissionais), e depois joguei mais três torneios da PGA Portugal e acabei a época em 6º lugar do ranking, que me dava direito a jogar o Open de Portugal e o Open da Madeira. Mas como não joguei 50 por cento dos torneios – o Open da Terceira não contava para o circuito profissional –, não me deixaram jogar esses Open’s.

Fiquei um bocado frustrado porque fui o único jogador, além do Sobrinho a ganhar torneios nesse ano, e fui dos poucos jogadores a acabar esses torneios abaixo do PAR. No entanto, embora fizesse parte da direcção da PGA Portugal, achei bem que as regras fossem cumpridas, se bem que esse meu êxito recente deveria pesar, uma vez que a representação de Portugal estava em jogo. Mas assim não foi decidido, e foram buscar o 24º ou o 25º do ranking. 

Obviamente que a questão dos baixos prize moneys também condicionaram – a situação da PGA Portugal na altura também não estava muito boa – e depois o facto de ter vindo para aqui, para este clube há quase três anos, tirou-me tempo para tudo. Por exemplo, o ano passado joguei dois Pro-Am, um na Curia e outro no Algarve, e foram as únicas voltas de 18 buracos que joguei. No fundo, o facto que me levou a abdicar da competição foi a dedicação às aulas e aos meus alunos que tem sido cada vez maior e deixa-me com pouco tempo para treinar e jogar.

Em Portugal é impensável um jogador viver da competição. Pode-se dizer que o profissional vive do ensino e de alguns sponsors, correcto?

Eu diria que neste momento é impensável viver da competição. Vive-se do ensino, mas de sponsors não porque já há muito poucos patrocínios para as provas de profissionais, muito menos há patrocinadores dispostos a apostar em profissionais de ensino que não saem dos clubes.

Portugal tem excelentes condições para a prática do golfe, tanto ao nível de infra-estruturas como de campos, no entanto não temos um campeonato nacional? Achas que é utópico falar de um campeonato nacional em Portugal?

Eu acho que sim, pela experiência que tenho no golfe, existe um apoio bastante grande, neste momento, nos últimos quatro/cinco anos, ao jogador de alta competição amador, mas depois aquele apoio necessário para se dar o salto para o profissionalismo não existe. Não existe porque a Federação e a PGA Portugal deveriam trabalhar mais em conjunto e desenvolver mais acções para potenciar as capacidades de jovens jogadores durante esse processo de transição, quer seja para o circuito português ou para circuitos internacional como o EPD Tour, o Challenge Tour, prepará-los para Escolas de Qualificação, isso infelizmente não existe em Portugal. 

Se olharmos para a Espanha, cada vez têm mais jogadores nos circuitos. Por exemplo, no último torneio do European Tour, no Dubai, estavam 10 espanhóis no top-15, alguns novos e outros mais velhos, a diferença é anormalmente sintomática.

Sérgio CoutoSe tivéssemos um circuito nacional com uns 8/12 provas por ano e com dignos prize moneys equacionarias voltar à competição?

Voltava. E voltava sem hesitar. Não a full-time como é óbvio, mas fazia um esforço para voltar à competição. Sempre foi algo que gostei, de competir, e ainda tenho muita vontade de o fazer. Gosto de passar uma/duas horas por semana, do pouco tempo disponível que tenho, na internet a ver resultados, a ver Sport TV Golfe… 

Agora, não faz muito sentido, e é demasiado frustrante uma pessoa andar a treinar regularmente como se fosse jogar uma competição para só competir daqui a cinco/seis meses. O último campeonato da PGA Portugal que joguei foi um Campeonato Nacional, em Vilamoura, que infelizmente ainda hoje não recebi o prémio. Estamos a falar de 2006. As minhas despesas estão pagas, mas o prémio ainda não o recebi… (risos) Por isso, não vale a pena andar a treinar muito.

E esta nova fornada de jovens jogadores, como o Ricardo Santos, Tiago Cruz, António Rosado e mesmo o Pedro Figueiredo, que estuda e joga nos USA. Que te parecem?

Conheço-os a todos, uns melhores que os outros, inclusive, já joguei com todos eles. Parece-me que tanto o Ricardo Santos, como o Tiago Cruz e o Tó Rosado fizeram boas apostas em sair do país para competir e têm dado provas de que conseguem entrar no Tour e competir ao mais alto nível. Falta-lhes é um bocado mais de apoio. Não é falta de jeito, não é falta de tempo, não é falta de condições.

Penso que será um pouco mais de falta de apoios para jogarem um pouco mais descontraídos. Uma coisa é estarmos a jogar um torneio e sabermos que as nossas despesas estão 80 por cento pagas e vamos jogar à vontade. Outra coisa é estarmos a contar os troquinhos todos e estar sempre com o stress todo para passar o cut e poder cobrir todas as despesas que temos. Já passei por essa experiência e a frieza de jogo não é a mesma.

Fundamentalmente acho que falta uma coisa cá em Portugal: as pessoas acreditarem na potencialidade dos nossos jogadores. Costuma-se dizer que descobrimos meio mundo e não temos nada, temos grandes cientistas, mas não vivem cá, os grandes atletas das outras modalidades treinam fora do país… Não é só culpa da Federação Portuguesa de Golfe, muito longe disso, penso que o Governo também não apoia tanto o desporto em geral como deveria.

Infelizmente é futebol, futebol, futebol e mais nada… Se olharmos para o Euro’2004, que foi um sucesso, os milhões de euros que foram gastos na construção dos novos estádios que estão agora vazios poderia ter sido utilizados em muitas modalidades, não só o golfe. Por exemplo, a obra do campo municipal do Jamor está embargada há dois anos por estupidez da população que prefere ter mato e lixeiras em frente de casa do que um campo de golfe e a este ritmo dificilmente vamos conseguir. Podemos ter o melhor clima e os melhores campos da Europa, mas se continuarmos a ter esta mentalidade e estes apoios governamentais é para esquecer. Não conseguimos fazer rigorosamente nada.

Sérgio CoutoTens alguma sugestão que possa contribuir para o desenvolvimento de sinergias entre clubes, FPG e PGA Portugal?

É um caso complicado. Eu lembro-me de que quando fazia parte da direcção da PGA Portugal queríamos criar um circuito Pro-Am, que está a ser refeito agora, mandamos cartas para todos os campos de golfe para nos disponibilizarem os percursos para realizar esses torneios, e ao fim de dois meses não recebemos resposta de campo rigorosamente nenhum. Foi um bocado frustrante. O único campo que nos abriu as portas, na altura, foi Amarante, porque a Mota e Companhia, depois Mota Engil, patrocinava o nosso circuito, mas o resto era sempre com muito sacrifício conseguir arranjar campos para jogar os nossos torneios. Mesmo tendo alguns patrocinadores, na altura, era muito complicado.

Penso que também deve haver uma abertura maior dos campos de golfe, tanto para disponibilizarem os seus profissionais para competirem como para organizar os torneios. É sempre uma mais-valia. Os amadores adoram jogar os Pro-Am, mas agora não havendo isso é complicado. Eu lembro-me que, no ano passado, na Cúria, organizou-se lá um torneio e esse torneio teve lista de espera para os jogadores poderem participar nesse Pro-Am.

E eu fui jogar um Pro-Am ao Carvoeiro e tive aqui uma pequena “guerra” interna para seleccionar três jogadores para irem comigo. Não tinha três, tinha 15, que queriam jogar na minha equipa, As pessoas gostam de jogar com os profissionais, mas as hipóteses disso são poucas Sugeri, na altura, à PGA Portugal, fazer esse circuito Pro-Am às segundas ou às terças-feiras.

Pelo menos aqui no Norte, a maior parte dos profissionais estava disponível, portando, eram menos custos para esses clubes disponibilizarem esses mesmos profissionais e felizmente temos centenas de jogadores que jogam à segunda-feira e gostariam de ter uma aula ou a companhia de um profissional no campo.

Eu, juntamente com os meus colegas profissionais aqui do Norte, criamos em 2000, um projecto que uma segunda-feira por mês reuníamos 8 ou 9 profissionais e cada um trazia cinco ou seis alunos e passávamos um dia inteiro com eles. Parte da manhã campo de treino, bunker, jogo curto, jogo comprido e tal e depois um almoço, onde fazíamos um sorteio para uma aula de campo, não em competição, mas por exemplo os meus alunos jogarem com o Sérgio Ribeiro, os do meu pai (João Couto) jogarem com a Patrícia Brito e Cunha, os do Alfredo Cunha comigo… Ou seja, havia ali um convívio e um intercâmbio com os profissionais. O projecto, até certo ponto, correu bem, mas depois, por falta de apoios, tivemos de parar.

Sérgio Couto

A PGA Portugal tem uma nova direcção liderada pelo José Correia e pelo Nelson Cavalheiro. Que expectativas tens em relação a esta nova direcção?

Tenho fé que eles consigam fazer melhor do que tem sido feito, até porque pior é um bocado difícil. Tanto o José Correia como o Nélson Cavalheiro têm muita experiência a nível profissional. O Nélson Cavalheiro já fez parte de várias direcções da PGA Portugal, o José Correia sempre foi uma pessoa muito activa dentro da PGA Portugal, mesmo não fazendo parte de quaisquer direcções antigas, e com ideias muito bem definidas, que infelizmente, por diversas razões, nunca foram avante, pois nunca lhe deram grande relevo. Penso que ele, neste momento, pode vir a fazer coisas interessantes. Agora, precisamos é de todas as ajudas das entidades nacionais para que o projecto dele possa ser levado em diante.

A nossa imagem está um bocado manchada e temos de dar uma volta muito grande a isto para voltarmos a ter um circuito, como já tivemos entre 1993 e 2005. Tínhamos condições para ter feito um pouco melhor, mas faltou-nos sempre apoios imprescindíveis. Posso referir que o único apoio que tivemos em termos de divulgação foi o jornal OJOGO. Indiscutivelmente foi a única entidade da comunicação social que apoiou sempre a PGA Portugal e penso que vai continuar a apoiar tanto a PGA Portugal como o golfe nacional. Da minha parte, a PGA pode contar com todo o meu apoio no sentido de desenvolver e divulgar o golfe em Portugal.

Nós, que estamos de fora, por vezes temos a sensação de que os profissionais nacionais não estão unidos, não partilham um objectivo comum, que somente se preocupam em ensinar e assim sobreviver? Isso é verdade ou é impressão do adepto comum?

Há muita verdade nisso que acabaste de dizer. Infelizmente, a inveja continua muito vincada no seio profissional. Recordo-me que quando jogava os torneios, se fazia um resultado de 70, 72, Par do campo ou uma abaixo, poucos profissionais diziam “Bem jogado”, ‘”Parabéns”. A maior parte dizia “Eh pá, enganaste-te. Amanhã vais fazer 80”. Este tipo de mentalidade, este tipo de espírito é complicado, não motiva. E infelizmente ainda existe.

Penso que com a geração nova – Tiago Cruz, Ricardo Santos, Tó Rosado – já não existe tanto este discurso e a mentalidade vai-se alterando, aliás nota-se isso pelo convívio entre eles. Eu faço parte de uma geração mais velha, são quase 20 anos de carreira, e convivi com Sebastião Gil, que é um grande jogador de golfe, lutava contra tudo e contra todos, o Abílio Coelho, Joaquim Sequeira, outro excelente profissional, que eram dos poucos que apoiavam os profissionais e que os motivavam. O resto andava tudo um pouco em “guerra”, coisas que não se vêem no European Tour ou no PGA Tour. 

O jogo de golfe não é isso, é um jogo de gentlemans. Joguei alguns torneios do European Tour, alguns Open’s de Portugal e da Madeira, com jogadores que me desconheciam totalmente – por exemplo, no primeiro Open de Portugal que joguei, em 1996, na Aroeira, joguei com Mike Welsh, o melhor amador da Europa no ano anterior, e com o Manuel Pinero, que já era uma das maiores referências de então –, e tive um convívio fantástico com ambos, mas especialmente com o Pinero, que no final me disse que gostava muito do meu jogo, que tinha reparado que tinha pouca experiência, e convidou-me para no dia seguinte de manhã ir treinar com ele para o driving range. Ou seja, uma pessoa totalmente desconhecida, que está a competir na mesma prova que tu e dar-te este tipo de apoio, é fantástico, e infelizmente completamente impossível em Portugal. 

Sérgio CoutoCuriosamente, a primeira vitória do Manuel Pinero como profissional foi em Miramar, em 1968, clube de onde eu era. Recordo-me bem que no final dos torneios da PGA, gostava sempre de ir bater umas bolas e treinar à tarde, enquanto a maior parte sentava-se a beber uns copos e a conversar. Diziam que era doido, que ia treinar para fazer 80, enfim, essa mentalidade ainda bem que se tem vindo a alterar, mas ainda está um pouco enraizada. Mas, pelo que eu conheço, as coisas têm-se vindo a alterar.

Joguei três ou quatro vezes com o Ricardo Santos, uma ou duas com o Tiago Cruz, com o Pedro Figueiredo em alguns torneios em que ele foi convidado, e também com uma das pessoas com quem mais gostei de jogar, o Nuno Henriques, tinha ele na altura 15 anos e um jogo extremamente sólido, fiquei apaixonado pelo jogo dele. Recordo-me de uma situação engraçada que no final de uma volta, em Amarante, que ele fez uma ou duas acima, já não me recordo, e ele jogava com umas Pro-V1’s da Academia que ele treinava nos Estados Unidos, e eu pedi-lhe uma bola autografada por ele. Ele ficou a olhar para mim, como que a perguntar “Tu é que és o profissional e estás-me a pedir um autógrafo?”, mas eu achava que ele daqui a uns anos ia ser um grande jogador e assim não teria de andar atrás dele (risos). É uma pessoa fantástica, que está a lutar pela carreira dele. Repara que ele foi para os Estados Unidos com 13 anos, isso é de louvar e espero que ele tenha sucesso, tal como o Pedro Figueiredo e todos os outros que lutam pelo seu sucesso profissional.

Recebeste em 1999 um prémio da FPG que te distinguiu como o melhor profissional de ensino desse ano. És um aficionado pelo estudo no golfe?

Sou. Gosto muito de estudar, ando sempre no meu carro ou aqui com livros de golfe, alguns bastante antigos. O último que li foi do Arnold Palmer, de 1959, um livro absolutamente fantástico.

Gosto de estar sempre actualizado, gosto de ver a evolução dos meus alunos, pois quanto mais eles puxam por mim, mais eu tenho de estudar. Não podemos parar no tempo e só continuar a ensinar o que aprendemos há 20 anos atrás, se bem que alguns métodos de treino funcionam ainda e algumas formas de abordar o swing, mas temos de estar sempre actualizados. Isso é extremamente importante.

Que jovens treinavas na altura e que agora são profissionais?

O João Silva, profissional de Amarante, o Paulo Ferreira, que é um dos melhores amadores nacionais, o João Nuno Beires, profissional hoje em dia também, João Tiago Pinto, que foi campeão nacional. Costumo dizer na brincadeira que o prémio recebi-o em 99, mas a colheita era de 98.


Todos eles começaram do zero e no espaço de três anos conseguimos coloca-los no panorama nacional. Ao fim ao cabo, posso dizer que são os meus filhos mais velhos. Consegui reuni-los o ano passado em minha casa num jantar para recordar esses momentos e essas histórias interessantes da altura em que fui treinador deles em Amarante.

Amarante ainda era um pouco fora do centro do golfe aqui no Norte e o sacrifício que eles faziam em levantar-se às cinco da manhã para vir jogar um Projecto Drive a Miramar, que começava às 8h, era violento, estamos a falar de adolescentes de 13/14/15 anos. Eles tinham muita vontade e muita paixão para melhorar e aprender. No entanto, tinha que lhes dar rédea curta, mas sabia quando os brindar com prémios. Havia ali disciplina.

Sérgio CoutoQuais eram os teus pontos fortes e fracos como jogador?

O meu ponto forte no golfe é o drive, sem dúvida. O fraco sempre foi o Putt. Sei que também jogo bem do bunker e nos approaches e estava a ganhar ao longo do tempo confiança em mim mesmo e aquela garra de vencer. Dificilmente me deixava ir abaixo numa volta de golfe depois de fazer um triplo bogey.

Nos últimos dois/três anos de competição fiz um trabalho mais específico em termos de preparação física e mental. Os resultados começaram a aparecer com maior regularidade, tanto é que os dois torneios que venci consecutivamente saí para o último dia a cinco pancadas do líder e ganhei ambos, um deles no play-off e o outro acabei por não precisar de ir à decisão. 

Recordo-me que no Campeonato Nacional de Pares de Profissionais, em Amarante, eu estava com João Pedro Themudo, e saímos no terceiro lugar para o último dia, a cinco shots do líder (José Correia e António Sobrinho) e a três do segundo e disse ao João Pedro que íamos utilizar o sistema KISS (Keep it Simple Stupid). Nesse último dia foi FourBall BetterBall conseguimos fazer oito abaixo e vencemos por uma. Foram alturas de grande tensão e enquanto esperávamos pela chegada da última formação o João Pedro acabou por fumar quase um maço de cigarros (risos). Infelizmente ainda somos os campeões nacionais em título, e digo infelizmente porque desde então até agora nunca mais houve a disputa deste título.

Qual foi o momento de maior de pressão pelo qual passaste? O que te veio à cabeça?

Foi sem dúvida o Putt de 20 centímetros que tive no green do 18 da Ilha Terceira para ir a play-off com o Sobrinho no Pro-Am que se joga há 27 anos. Posso fazer muito desporto que dificilmente vejo a cair uma pinga de suor, mas naquele Putt parecia que estava a tomar banho. Foi a minha primeira vitória como profissional de golfe. Vi o buraco muito pequenino e a bola parecia de basket.

Coisa que no buraco seguinte, o primeiro de play-off, a situação inverteu-se: o buraco parecia uma tampa de saneamento e a bola um berlinde. Nesse dia joguei com o António Sobrinho e o Daniel Silva, dois grandes jogares, e estar a disputar a vitória shot a shot com eles foi um momento do qual me orgulho.

Rápidas
Filme Mentes perigosas
Livro Little Red Book, Harvey Penick
Cor Azul
Prato Feijoada à trasmontana
Bebida Seven Up
Jogador nacional O meu pai (João Couto)
Jogador internacional Severiano Ballesteros
Swing mais eficaz Ernie Els
Swing mais bonito Ernie Els
Um dia sem golfe Sentado à beira da praia
Um amigo Alfredo Maria Cunha
Um campo Estela
Sonho Entrar no Senior Tour

Sérgio Couto e Ouroso é profissional de golfe desde Setembro de 1992. Durante alguns anos foi jogador a tempo inteiro do circuito profissional Português, tendo obtido vários tops 3 nos Nacionais e duas vitórias em 2002 no Open da Terceira e no Campeonato Nacional de pares profissionais com o seu colega João Pedro Themudo Santos.

Entre 1996 e 2004 participou em vários torneios do European Tour, nomeadamente o Open de Portugal e Open da Madeira.

Em 1999 recebeu o Prémio Ricardo Espírito Santo da F.P.G. que distingue o melhor profissional de ensino de cada ano. Nessa altura treinava alguns campeões nacionais em diversos escalões, sendo que alguns desses jogadores são hoje profissionais de golfe. Fez parte da equipa de prelectores no programa de formação da PGA Portugal e frequentou alguns seminários europeus e nacionais relacionados com a indústria de golfe.

Na carreira como profissional de golfe trabalhou no Clube de Golfe de Miramar (93 e 94), Quinta da Lage (95 e 96), Amarante Golfe Clube (97 – 2001), Clube de Golfe da Quinta das Lágrimas (2001, 2002), Estela Golfe Clube (2002- 2005) e City Golf (2005- 2008).

Nature Resort Vale Pisão

Vale PisãoO campo de Golfe Vale Pisão enquadra-se num projecto imobiliário de primeira qualidade na zona norte de Portugal, perto de Santo Tirso, o Nature Resort Vale Pisão.

Este projecto prima pela qualidade, e pelo bom gosto, onde a presença das moradias se conjuga numa simbiose perfeita com a natureza envolvente. Aqui terá e poderá proporcionar verdadeiros momentos de sossego e bem-estar a si, à família e a amigos. Destaque ainda para o futuro Hotel projectado pelo consagrado arquitecto Siza Vieira.

O Driving Range é excelente, é amplo e dispõe ao jogador várias opções de tipo de treino. O Putting Green, o segundo maior de Portugal, oferece 18 fantásticos buracos que deliciam todo e qualquer jogador, desde o amador principiante ao mais exigente dos profissionais. Os 9 buracos são um sonho, são aqueles 9 buracos de comer e chorar por mais, a envolvência é deslumbrante, os fairways amplos e respeitam o relevo natural, os greens estão muito bem tratados, bunkers de areia branca e fina, lagos naturais, pássaros, o som da água das ribeiras a correr, enfim, o cenário idílico a 10km carro da cidade do Porto. A Golf 4 You recomenda uma visita a este oásis.

Localização

A norte de Portugal, na chamada Costa Verde, fica a cidade do Porto, a capital do norte do País. A cidade do Porto está ligada às principais capitais / cidades da Europa pelo Aeroporto Internacional Francisco Sá Carneiro, permitindo chegar muito rapidamente a cidades como Madrid ou Barcelona (1 hora), Paris ou Londres (2 horas), entre muitas outras, de forma directa e cómoda.

Vale PisãoÉ também um bom ponto de partida para cidades próximas como Guimarães, onde nasceu Portugal, Braga ou Viana do Castelo, entre outras, também elas de riqueza histórica, gastronómica e beleza singulares.

O Nature Resort Vale Pisão localiza-se 10 minutos a norte da cidade do Porto e a sul da cidade de Santo Tirso. É servido por um conjunto de acessibilidades e redes viárias importantes, garantindo uma excelente mobilidade em todas as direcções, com ligações imediatas à A1, A3, A4 e IC24.

É objectivo da administração da Golfe Quinta do Pisão – Campos de Golfe S.A. desenvolver a sua actividade em pleno respeito pelo meio ambiente, de modo a posicionar o campo de golfe Vale Pisão como um dos melhores campos de golfe do norte de Portugal.

O golfe proporciona um elevado contacto directo com o ambiente e com a natureza. A protecção do meio ambiente e a conservação da natureza, são factores fundamentais para o conceito de qualidade que o campo de golfe de Vale Pisão pretende atingir.

Serviços

Procurando recriar o ponto de encontro das antigas comunidades rurais, nas imediações do Club House e do Hotel, projectado pelo consagrado arquitecto Siza Vieira, será criada uma praça que funcionará como centro do resort. Esta praça central será um ponto de encontro que aglutinará toda a oferta de comércio e serviços de que poderá necessitar para o seu dia-a-dia.

Vale PisãoA zona comercial e de serviços incluirá: supermercado, lavandaria, serviço de shuttles permanente, padaria/ pastelaria/refeições rápidas com catering, tabacaria/jornais, permanente, padaria/ pastelaria/refeições rápidas com catering, tabacaria/jornais, segurança 24h, clínica, cabeleireiro, baby sitting, e loja de desporto com aluguer de bicicletas de montanha, e serviço de manutenção de jardins, piscinas e pequenos arranjos domésticos.

Golfe

Situado no centro do campo de golfe e tendo o Parque Verde como horizonte, o Club House corresponde a um sofisticado projecto de arquitectura, não obstante a simplicidade das suas formas, que visa criar no seu interior diversos módulos/ centros de interesse independentes, mas complementares.

O Club House será construído na antiga casa desta quinta, da qual restarão boas lembranças, uma vez que este projecto recupera todo o interior do edifício, mantendo, no entanto, a sua fachada exterior. O passado continuará presente com a existência no Club House dos antigos lagares da Quinta, um legado histórico que poderá apreciar no local.

O campo de golfe tira todo o partido da estética do terreno enquadrando-se naturalmente na paisagem, tirando o melhor partido dos declives, da vegetação e dos cursos de água existentes. Desta forma consegue-se um percurso variado, com desafios interessantes e equilibrados em que buracos mais curtos, mas de evidente beleza e estratégia, se combinam com buracos elaborados e de maior dificuldade.